Livro

Memorias Ficticias caminho

Aqui está a primeira carta do livro, não a leia se não quiser adentrar essas memórias repletas de segredos que não deveriam ser guardados. Você sabe como descobrí-los.

Primeira Carta
Eu resolvi acatar os seus conselhos e parar de perturbar‑me com a minha própria história. Minha mente tem sede de respostas ao universo de dúvidas que se abre diante de mim. É como se a certeza fosse uma vitória a qual eu nunca poderia alcançar. Escrevo esses relatos da forma mais fiel possível, vasculho os cantos remotos da lembrança. Tento recordar datas, fatos, algo a provar a verdade que não consigo encontrar. Porém, para meu desespero, relembro perfumes, toques, sensações diversas e abstratas. Nada é concreto, nem mesmo eu…
Eu preciso do real, preciso voltar à superfície de mim mesma. Quanto mais fundo eu mergulho, mais perco a noção de onde é o chão e de onde é o céu. Estou sem rumo, não sei a direção do que procuro, e nem ao menos sei mais quem estou a buscar. Foi então que decidi escrever, anotar cada ação, passo, palavra dessa história, da minha história. Esse foi o modo que encontrei para analisar minha vida e confirmar sua existência.
Seja bem‑vindo, meu caro livro, às minhas memórias fictícias.
29 de fevereiro Coralina de Lilá